domingo, 17 de janeiro de 2010

Triste fim. PT saudações.

O fechamento do Meduna

O Sanatório Meduna foi implantado nos anos 1940 pelo então recém-formado médico Clidenor de Freitas. Ele tinha uma admiração tremenda por Dom Quixote de la Mancha e sua eterna luta contra os moinhos de vento a que julgava dragões da maldade. O nome do sanatório foi homenagem a um dos ídolos de Clidenor. Trata-se de Ladislas Joseph von Meduna nasceu em uma familia proeminente em Budapeste, Hungria, em 1896.
Com seus estudos, Meduna provou que a esquizofrenia não era uma doença hereditária e que podia perfeitamente ser curada. Clidenor de Freitas Santos atuou inicialmente no Hospital Areolino de Abreu. Já naquela época adotou posicionamento revolucionário no tratamento de doenças mentais. Até então os pacientes eram mantidos acorrentados em celas individuais, como se fossem prisioneiros por crimes hediondos.
Ele retirou-lhes as correntes e com elas pôde participar do esforço de guerra, vez que todo o metal foi doado para o Exército que se dispunha, naquele instante, em combater o nazismo na Europa. Logo em seguida ele fundou sua própria casa de saúde, o Meduna, que se transformou rapidamente em importante centro de tratamento de doenças mentais. Para Clidenor, as pessoas não nasciam loucas.
A grande maioria apresentava distúrbios em virtude da incapacidade em lidar com os desafios do cotidiano e com os desajustes da própria sociedade. Sobre ele, que faleceu em 2000, Hugo Napoleão discorreu certa feita, em pronunciamento na Academia Piauiense de Letras: "Como Quixote, Clidenor era um tanto de sonho e birra; um punhado de delírio e crença; em pedaço de céu e de terra, por sonhar e realizar, por crer e duvidar, por saber e questionar, Clidenor foi um homem especial."
Por cerca de sete décadas o Meduna prestou serviços no tratamento de pessoas com esse tipo de problema. No próximo dia 23 de maio o hospital fechará definitivamente as suas portas, encerrando suas atividades por absoluta falta de recursos. O processo de desativação de leitos psiquiátricos ocorre progressivamente desde o início da década. Para alguns especialistas, a situação é preocupante. E deve se agravar ainda mais.
Editorial do Diário do Povo